2011/11/14

Uma gordura chamada função pública « BLASFÉMIAS

Uma gordura chamada função pública « BLASFÉMIAS
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Em suma, muita da contestação ao OE2012 tem a ver com as dores do sector não transaccionável por quem a crise até à data tinha passado ao lado, mas que agora foi atingido em cheio por ela. Todo o modelo concentracionário vigente no país desde sempre, agravado por um modelo económico que privilegiou os bens não transaccionáveis, potencia estes desequilíbrio regionais: em períodos de expansão o núcleo central beneficia e distancia-se do resto do país, em períodos recessivos e mantendo-se o modelo económico, tem maior imunidade à crise e continua a divergir. Não é por acaso que, desde a nossa integração na Europa, assistimos a um constante e persistente acentuar das desigualdades entre Lisboa e o resto do País. Independentemente de existir ou não convergência com a UE, a nível interno a divergência Lisboa / resto do país foi a regra.

Uma alteração do paradigma económico como este governo pretende efectuar (fundamentalmente por imposição externa, reconheça-se), irá naturalmente penalizar os beneficiários com o antigo modelo. Cavaco, um centralista militante e empedernido de agora e de sempre e, em grande medida, o “pai” do modelo que nos desgraçou, já antecipou estes efeitos. Ele e outros membros da “Corte”, quando denunciam a “falta de equidade”, estão certamente a pensar numa óptica regional. E admito que o próprio governo também o terá feito, ao deixar intocada a rubrica “Aquisição de bens e serviços”, para evitar uma maior recessão em Lisboa. Estamos a falar de qualquer coisa como 12 mil milhões de euros dos quais, quase 9 mil milhões correspondem aos Serviços e Fundos Autónomos, quase todos sedeados em Lisboa. Naquela rubrica, há ”gorduras” que permitem um potencial de poupança da ordem dos 20 a 30%, sem que daí decorram quebras significativas nos serviços aos cidadãos. Não haverá cortes em 2012, mas serão inevitáveis em 2013.
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